A colocação do balão intragástrico é um passo importante no tratamento da obesidade, oferecendo um suporte físico à perda de peso por meio da redução da capacidade gástrica. No entanto, o sucesso do procedimento está diretamente relacionado à adesão do paciente ao novo estilo de vida, e um dos aspectos mais importantes nesse processo é saber o que comer em cada fase da adaptação ao balão.

A seguir, apresentamos um guia alimentar completo dividido por fases, apenas para você ter uma base e entender como funciona o processo, pois é fundamental contar com um acompanhamento nutricional adequado após a colocação do balão.

Fase 1 – Primeiros 3 dias: o que comer nos dias iniciais

Nos primeiros dias após a colocação do balão gástrico, o estômago ainda está se adaptando à presença do dispositivo. É comum o paciente apresentar sintomas como náuseas, vômitos leves, sensação de estufamento e, em alguns casos, dor abdominal moderada.

O que comer nessa fase:

  • Apenas líquidos claros e frios ou gelados;
  • Água, água de coco, chás sem cafeína (camomila, erva-doce);
  • Caldos coados (sem pedaços);
  • Suco de maçã diluído;
  • Gelatina sem açúcar (em pequenas quantidades).

A hidratação deve ser constante, em pequenos goles, evitando grandes volumes de uma vez. Essa fase visa evitar a sobrecarga gástrica e permitir a adaptação do organismo ao balão.

Fase 2 – Dias 4 a 7: líquidos completos e progressão gradual

Com a melhora dos sintomas e adaptação do estômago, é possível introduzir líquidos mais consistentes e com maior valor nutricional. O foco ainda é fornecer energia e manter boa hidratação, mas com avanço no aporte de proteínas e vitaminas.

O que comer nessa fase:

  • Sopas batidas e coadas (com carne ou legumes processados);
  • Leite desnatado, bebidas vegetais sem açúcar;
  • Iogurte líquido natural (sem pedaços de frutas);
  • Suco de frutas naturais coados e diluídos;
  • Isotônicos ou bebidas com eletrólitos, sob orientação médica.

Evitar líquidos quentes, ácidos ou gaseificados. O ideal é fracionar a ingestão ao longo do dia, priorizando a tolerância individual.

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Fase 3 – Semana 2: dieta pastosa

A dieta pastosa marca o início da reintrodução de alimentos com textura mais espessa, mas ainda facilmente digeríveis. Essa fase deve ser monitorada de perto para avaliar a aceitação e prevenir desconfortos.

O que comer nesta fase:

  • Purês de batata, mandioquinha ou abóbora;
  • Frango ou carne magra bem desfiada e amassada;
  • Mingaus ralos e sopas cremosas;
  • Purê de frutas como maçã, banana ou pêra cozida;
  • Queijos cremosos magros e iogurte natural integral.

Evite condimentos fortes, alimentos muito quentes ou com fibras duras (como cascas e talos). Mastigar bem, mesmo alimentos pastosos, é essencial para ajudar a digestão.

Fase 4 – Semana 3 em diante: dieta branda e transição para sólidos

Neste estágio, o estômago já está mais adaptado ao balão e é possível retomar a ingestão de alimentos sólidos em pequenas porções. A introdução deve ser feita gradualmente, respeitando sinais de saciedade e tolerância.

O que comer nessa fase:

  • Carnes magras grelhadas e bem mastigadas;
  • Arroz bem cozido, legumes cozidos ou refogados;
  • Frutas maduras e sem casca;
  • Pães macios e integrais em pequenas porções;
  • Ovos mexidos ou cozidos;

Alimentos ricos em gordura, açúcar e industrializados devem ser evitados. A ideia é consolidar novos hábitos alimentares que favoreçam a perda de peso contínua e sustentável.

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Fase 5 – Manutenção: educação alimentar e estilo de vida

Após 30 a 45 dias, o paciente entra na fase de manutenção, onde pode seguir uma dieta mais variada, sempre com atenção à qualidade dos alimentos e ao fracionamento das refeições. A mastigação lenta, a escolha por alimentos naturais e a hidratação constante continuam sendo pilares essenciais.

O que comer a longo prazo para manter os resultados:

  • Dieta balanceada com foco em proteínas magras, vegetais e grãos integrais;
  • Frutas frescas, sempre que possível com casca (se toleradas);
  • Evitar alimentos processados, frituras e bebidas açucaradas;
  • Estabelecer uma rotina alimentar com horários regulares.

Acompanhamento com nutricionista e médico gastroenterologista é indispensável para ajustes individuais e prevenção de deficiências nutricionais.

Dicas importantes para todas as fases:

  1. Coma devagar e preste atenção aos sinais de saciedade.
  2. Beba líquidos fora das refeições (pelo menos 30 minutos antes ou depois).
  3. Evite o consumo de bebidas alcoólicas durante o uso do balão.
  4. Pratique atividade física, conforme orientação médica, para potencializar os resultados.

Saber o que comer após a colocação do balão gástrico é fundamental para garantir uma recuperação tranquila e alcançar os resultados esperados de perda de peso. Cada fase exige cuidados específicos, e o sucesso do tratamento depende da disciplina alimentar e do suporte de uma equipe multidisciplinar.

A reeducação alimentar é o verdadeiro diferencial a longo prazo. Com um plano alimentar bem estruturado, o paciente não apenas emagrece, mas aprende a manter o peso e a saúde após a retirada do balão.

Se você deseja colocar o balão intragástrico e quer saber se ele é indicado para você, agende uma consulta com o Dr. Everson Malluta, especialista nesse procedimento.

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